Passagens benjaminianas em Paris

Galeria Güemes em Buenos Aires

Histórico

O Núcleo de Estudos Benjaminianos (NEBEN) funciona desde 2002, com a aprovação do CNPq, como um grupo de debates sobre as leituras de Walter Benjamin, reunindo professores da UFPE, UDESC, UFGRS, UNISUL e UFSC e alunos de pós-graduação de várias áreas, numa ligação interdisciplinar entre memória e produção cultural, artística e literária, mas principalmente no apoio da pesquisa de fronteira do conhecimento científico entre arte, psicanálise e literatura. O compromisso do NEBEN com uma maior exigência nos debates sobre a estética moderna visa a leitura teórica e crítica de imagens e palavras, e sua interpenetração, com alicerces na memória e na história cultural de modo geral, e com um enfoque nas artes plásticas e cênicas, na literatura, no jornalismo, na tradução e no cinema contemporâneos. Ou seja, as leituras do grupo objetivam esclarecer critica e teoricamente o projeto moderno das passagens culturais do século XIX ao XX de um modo geral ao partirem de um Walter Benjamin enquanto egresso da Escola de Frankfurt em seu aprendizado na questão mais ampla da indústria cultural adorniana, mas principalmente detendo-se sobre as passagens de seu famoso livro inacabado, Das Passagenwerk. Isto envolve tanto o tempo como o espaço: num sentido mais literal, aquelas passagens inspiradas nas transformações urbanas parisienses desde a poesia de Baudelaire, e, num sentido alegórico, as de uma concepção de trabalho que vai do artesanal ao industrial, e que, na substituição dos valores de culto pelos de troca, nas idas e vindas do campo à cidade, e de um sentido público a um privado e vice-versa, estimulam a movimentação e a mudança no pensamento contemporâneo. De modo que as leituras teórico-críticas entre imagens e palavras enquanto acontecimentos de uma estética e de uma política em transformação no capitalismo de fins da modernidade possam ser buscas sensíveis que nos atravessem de atualidade ou nos devolvam simultânea e anacronicamente às origens de um mundo contemporâneo cultural de massas em seus sonhos e catástrofes.

O grupo conta com 18 pesquisadores, entre professores e estudantes, destacando-se principalmente por sua atuação nas pesquisas, nos debates e nas discussões sobre a obra de Walter Benjamin. Os debates benjaminianos envolvem leituras decorrentes, sobre as obras de outros pensadores da modernidade afins, tais como Maurice Blanchot, Sigmund Freud, Jacques Lacan, Jacques Rancière, Georges Bataille, Michel Foucault, Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Roland Barthes, Georges Didi-Huberman, Giorgio Agamben e Jean-Luc Nancy.

Dentre os muitos projetos sobre os quais se distinguiu desde 2002, mais recentemente, ou seja, em 2016, o grupo publica Ruinologias: ensaios sobre destroços do presente, pela Editora da UFSC, trazendo uma ampla discussão sobre ruínas, inclusive sobre a melancolia de encontrar no presente os destroços do passado dentro do pensamento benjaminiano.

Atualmente (2018), o livro de Susan Buck-Morss Mundo de Sonho e Catástrofe: o desaparecimento da utopia de massas na União Soviética e nos Estados Unidos foi traduzido por Ana Luiza Andrade, Rodrigo Lopes de Barros e Ana Carolina Cernicchiaro. O livro atualiza os projetos utópicos modernos das duas superpotências (EUA e URSS) ressaltando suas divergências e, surpreendentemente, suas semelhanças, e o papel dos países periféricos como o Brasil dentro disso.

O núcleo aceita bolsistas de graduação, e através dele já foram realizados Trabalhos de Conclusão de Curso, ao desenvolverem leituras analíticas que se apoiam teoricamente sobre a obra de Walter Benjamin, assim como dos pensadores mencionados.

Walter Benjamin / filósofo da Escola de Frankfurt e das passagens a modernidade
Walter Benjamin / filósofo da Escola de Frankfurt e das passagens a modernidade
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